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Doentes admitidos nos hospitais públicos devem usar pulseira com identificação
 
A Direcção-Geral de Saúde (DGS) quer que seja colocada uma pulseira de identificação aos doentes que dão entrada em hospitais públicos com o seu nome, data de nascimento e número de processo clínico, como forma de evitar erros clínicos.
 
Doentes admitidos nos hospitais públicos devem usar pulseira com identificação
 

Segundo os últimos dados da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), o erro de identificação do paciente está na origem da maior parte dos processos contra hospitais por alegada assistência médica deficiente.

As pulseiras deverão ser aplicadas no caso de doentes que dão entrada nas urgências, que são internados em hospitais e unidades de cuidados continuados de longa duração, em pacientes que vão realizar exames em hospitais, assim como cirurgias que não requerem internamento. Exclui-se o seu uso em doentes crónicos de psiquiatria.

A DGS refere que as falhas associadas à identificação de doentes estão na origem "de erros com medicação, transfusões, realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica e realização de actos a pessoas erradas". Não existem dados sobre erros médicos em Portugal, mas num inquérito realizado pela IGAS, divulgado no ano passado, dos 138 processos abertos contra 37 hospitais públicos (num universo de 56), entre 2005 e 2010, a situação mais referenciada são mesmo os erros de identificação do doente (17), seguidos de erros de processo com informação mal arquivada (16), erros de administração de produto ou dosagem (14), de etiquetagem incorrecta (13), de prescrição indevida (13), incidentes com transfusões sanguíneas (13) e erros na avaliação clínica do doente (11), entre outros.

Perguntar ao doente

O cirurgião José Fragata responde que tem pouco tempo para falar porque está prestes a entrar no bloco operatório para operar a válvula aórtica de um doente. No Hospital de Santa Marta, em Lisboa, onde é director do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, o uso da pulseira nos doentes já existe, mas não basta para prevenir o erro, sublinha, "a pulseira é um mecanismo para que, em qualquer momento, se possa conferir se a prescrição é aquela". O doente que vai operar terá a identificação no pulso, mas faz parte da lista de procedimentos perguntar-lhe, mesmo antes de ser anestesiado, a sua identificação. "É como entrar no avião e apertar o cinto".

O médico, que é autor do livro Erro em Medicina, defende que é preciso criar regras, sensibilizar profissionais e depois pôr processos em prática. A existência das pulseiras está generalizada nos serviços pediátricos, mas nem todos os hospitais têm esta norma e, diz Fragata, "70 por cento dos erros de saúde são de comunicação", onde se incluem a troca dos doentes ou as trocas de medicação. Segundo os dados da IGAS, as especialidades onde são notificados mais erros são a Cirurgia, seguida da Ortopedia e da Ginecologia e Obstetrícia.

O que a DGS emitiu foi uma orientação que pretende "recordar aos serviços uma prática que pode estar esquecida. Nalguns sítios é prática, noutros não. Estamos a tentar uniformizar procedimentos", diz Alexandre Dinis, do Departamento de Qualidade na Saúde da DGS, notando que não existem dados sobre a sua aplicação. Diz ainda o documento que não se consideram dados de identificação fidedignos o número do quarto ou da cama e que a pulseira "não significa o abandono da identificação verbal".

António Vaz Carneiro, responsável pelo Centro de Investigação de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina de Lisboa, diz que o uso da pulseira "devia ser uma prática generalizada há muito tempo", tal como já acontece nos serviços pediátricos, justificando-se cada vez mais em face de "uma população cada vez mais débil e alterada". Uma das situações onde "é particularmente fácil haver troca de nomes, por haver maior movimento, são as urgências", notando que nas do Hospital de Santa Maria (em Lisboa) já é prática aplicar-se uma etiqueta na roupa ou no pulso.

Não se sabe quantos erros médicos ocorrem em Portugal, mas a DGS quer que, até ao final do ano, esteja no terreno o já muito falado Sistema de Notificação de Eventos Adversos. Trata-se de um programa voluntário em que qualquer profissional de saúde pode notificar um erro de forma anónima. O objectivo "é que o serviço aprenda com o erro", o que significa que no sistema informático nem o notificador nem o doente eventualmente lesado são identificados. "Se não for anónimo ninguém adere. É depois dever da administração fazer com que aquele erro nunca mais volte a acontecer. O objectivo é pedagógico e preventivo", explica Alexandre Dinis. Há unidades que têm sistemas de prevenção de riscos - segundo a IGAS só 15 num universo de 56 hospitais responderam afirmativamente -, mas o objectivo é que seja uma base nacional.

Notícia Público.
Veja notícia aqui.

 
Admin | 2011-05-25 13:22:12
 
 
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